1 de novembro de 2010

Homenagem à vovó


Geralmente, as pessoas fazem homenagens para as outras somente após a morte delas. Mas eu não quero que isso aconteça com a minha avó. Longe de mim achar que ela está próxima da mesma, mas gostaria de fazer isso enquanto há tempo.
Vovó Luiza...é assim nós a chamamos!
Mas quando ela nos pergunta, temos que dizer que nós, netos, somos "lindas(os) da vovó".
Mesmo que agora ela ache que só o Vinícius, neto mais novo (9 anos), seja seu lindo, todas nós somos também!
Luiza Botelho Louro, 84 anos de pura sabedoria e vitalidade.
Quem acha que ela está velha, está enganado. A surdez é o único sinal de que a idade chegou. Fora isso, é um "broto", como ela diz pra gente.
A minha avó cresceu em lar humilde, na roça, mas desde criança foi ensinada a buscar a Deus e seus princípios. Ela e meu avô passaram isso para minha mãe e hoje estou aqui também, conhecendo o melhor de todos os caras: Jesus.
A minha avó troca os nomes de todo mundo, os nomes de mercado, os nomes de carro, mas ela nunca esquece das coisas importantes. Ela sempre quer passar pra todo mundo tudo o que ela acha edificante. Ela estuda dia e noite a Bíblia, faz resumos, tira xerox do que ela acha legal e entrega pras pessoas.
Tá certo que, por conta de sua hitória, ela tenha opiniões bem fortes e definidas parecendo ser meio durona, mas também tem um coração de ouro e, às vezes, até mole que é capaz de dar a roupa do corpo pra ajudar qualquer um.
Foi ela quem me ensinou a comer farofa de couve, de cebola e de tanajura. Foi ela quem não me deixou comer presunto e pizzas cheias de ketchup e nem beber tanto Nescau e refrigerante. Segundo ela, tudo isso é "porrrrrrcaria" e essas "tintas" (molhos de todos os tipos) não fazem bem pra ninguém, rs.
Além de cozinhar, ela faz cachecóis maravilhosos, croché, tricô, escreve, lê, tem uma ótima memória e, por isso, gosta de contar muitas histórias. Se algum dia você vier à minha casa, arranje tempo para ouvir pelo menos uma história dela. Ela não se cansa, acredite. Uma hitória puxa mil outras.
A minha avó sempre quer o nosso bem e ver o legado que ela deixou é fascinante. Não sei se ela tem consciência disso, mas, se eu estivesse no lugar dela, teria muito orgulho da vida que ela construiu e da educação que ela deu pras suas filhas e netos.
Vamos ver até quando ela vai construir coisas importantes e eternas. Agora, vamos continuar curtindo as tagarelices da D. Luiza. Há pelo menos 20 anos, ela diz que vai morrer logo logo, mas eu acredito que ela ainda vai chegar aos 100!

26 de outubro de 2010

De quando te achei

Encontro - Maria Gadú


Sai de si,

Vem curar teu mal,

Te transbordo em som,

Põe juízo em mim.

Teu olhar me tirou daqui,

Ampliou meu ser,

quero um pouco mais,

não tudo...

Pra gente não perder a graça no escuro.

No fundo...

Pode ser até pouquinho, sendo só pra mim

Sim.



Olhe só como a noite

Cresce em glória

E a distância traz nosso amanhecer.

Deixa estar que o que for pra ser vigora.

Eu sou tão feliz,

Vamos dividir

Os sonhos...

Que podem transformar o rumo da história.

Vem logo...

Que o tempo voa como eu,

Quando penso em

Você.



20 de setembro de 2010

Atada






Só pra deixar registrada a minha inútil-raiva-momentânea do sistema em que vivo: o capitalismo.


O sistema mais prazeroso e cruel que existe.


15 de agosto de 2010

Sensações


Vc já parou pra pensar nas sensações que vc tem sobre a vida, sobre o seu cachorro, a sua mãe, um amigo etc?
Um dia desses estava me lembrando de uma viagem que fiz em 2009 para Fortaleza e é impressionante como a medida que lembrava de pessoas, situações, objetos, eu conseguia ter a exata sensação que tive naquele ano. Lembrei de como o meu coração ardia por querer levar uma solução de vida para pessoas, de como eu curti algumas tardes com amigas na piscina ou, simplesmente, da cama torta que dormi durante 1 mês.
Enquanto minha mente passeava pelo solo cearense, o que mais me chamou atenção não foram só as situações, os objetos e pessoas, mas a sensação que a minha mente teve de todas aquelas coisas. Percebi isso também ao olhar um casal de amigos que casou e que é tão fofo que gera uma sensação boa por dentro.
Fiquei pensando, pensando e acho que posso afirmar uma coisa: as nossas sensações nos movem (ou nao, rs). Enfim, as nossas sensações nos fazem ter uma dimensão da vida e essa dimensão, consequentemente, nos leva a ter ou não determinadas atitudes.
Muitas coisas que geravam um calorzinho gostoso no meu coração em 2009 esfriaram um pouco ao longo desse mesmo ano e essa falta de sensação ou a presença de uma nova sensação me fez ficar um pouco paralisada, por exemplo.
Mas sabe...pensando mais um pouco...acho que posso afirmar mais uma coisa: muitas dessas sensações (senão todas) são sensações que podemos decidir sentir .
Por que o meu coração não pode mais sentir um calorzinho ao ver uma pessoa precisando de ajuda? Talvez porque eu tenha decidido ocupar a minha agenda com coisas voltadas pro meu próprio crescimento me impedindo de ver a necessidade das pessoas à minha volta.
Por que eu entro em crise com a minha Faculdade? Talvez porque eu tenha decidido esquecer o presente que é estudar numa faculdade como a minha e como eu posso fazer coisas grandes lá, mesmo que o meu curso não me anime tanto.
Por que?
Eu quero decidir lembrar de cada sensação boa gerada no meu coração pelas pessoas, pelo mundo, pela vida. Eu não quero que a minha vida diminua as suas dimensões, mas quero que ela aumente.
Eu decido sentir amor, sentir compaixão, sentir solidariedade. Do contrário, seria impossível amar alguém que me faz mal; sair do conforto da minha casa, ir para outro lugar com a simples esperança de ver alguém conhecendo Jesus; terminar uma faculdade tão pouco valorizada; deixar de olhar os meus interesses para olhar os interesses das outras pessoas; ultrapassar um sistema tão humilhante e limitador que rege a sociedade.
Qual é a sua sensação? Qual a sensação que vc decide ter?

13 de julho de 2010

Pensando em você

"Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com as chuvas dos verões
Com o desenho das maçãs
Com você me sinto bem"
Pensando em você - Paulinho Moska
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9 de julho de 2010

Eu ser




















Posso ver Você em cada coisa lá fora.
Em cada brilho,
Em cada brisa,



Em cada movimentar.
Será que mereço enxergar tanta beleza?
Meus olhos negros não deviam enxergar tudo escuro?



Você me dá o maravilhoso milagre de ver
Através dos Seus olhos.
Você é maior do que qualquer coisa
Que possa me coisificar.
Você é.


Eu não sou.
Com Você eu ser.
Já vale a pena viver.

4 de julho de 2010

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" Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. [...]

A covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura [...]
É difícil perder-se. [...]

Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar a desorientação. Como é que se explica que o maior medo seja exatamente em realção: a ser? [...] Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

E uma desilusão. [...] Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. [...] O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade. [...]

Sei que precisarei tomar cuidado para não usar sub-repticiamente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de "uma verdade". [...] E que eu tenha a grande coragem de resistir a tentação de inventar uma nova forma."


Retirado de A Paixão segundo G.H, Clarice Lispector.
"...fique à vontade, tire os sapatos e não pare nas escadas"